terça-feira, 10 de agosto de 2010

Senhora Distante

Quando a Trívia entrou na minha vida, ela abriu as portas para tudo o que viria depois. Foi Hécate quem me guiou para o culto aos deuses helênicos. Embora eu já fosse uma nerd de mitologia, e completamente apaixonada pelos deuses gregos, eu ainda estava tentando me achar.

Então, naquele dia, eu encontrei no meio de uma encruzilhada em Y uma chave antiga. Como uma resposta aos questionamentos que borbulhavam na minha cabeça. E a chave foi parar no meu bolso, e é como se Hécate me guiasse através do escuro onde repousavam minhas escolhas naquele momento, enquanto eu segurava a chave dentro do bolso. A chave foi parar em um cordão e por muito tempo ela ficou no meu pescoço o tempo todo. Não era a primeira chave que eu usava como pingente, e duvido que seja a última. Mas naquele momento, ela selou algo muito intenso.

Pesquisar a simbologia da chave me levou a Hécate e dela para o panteão grego todo. Hécate me levou pelas mãos para o caminho que eu devia trilhar.

Eu tenho uma percepção bastante pessoal de Hécate. Ela é linda. Fria e distante, mas ainda assim, uma deusa que se importa com os mortais de um modo que é muito pessoal. Ela não me parece muito paciente, fato - ela é sempre delicada como um tapa na nuca. Mas é aquela tia que sempre te protege se você correr chorando para ela.

A questão da aparência de Hécate é uma coisa engraçada que sempre é assunto. Porque na tentativa de forçar a barra fazendo os panteões todos se encaixarem na teoria de deusa tríplice donzela-mãe-anciã, apareceu uma trindade maluca onde Hécate seria uma anciã. Mas Hécate é uma jovem, e seu aspecto trino não tem nada a ver com essa coisa de donzela-mãe-anciã. Na verdade, eu acho que o jeito mais fácil de entender o aspecto tríplice dela é pensar nas divindades hindús, com seus muitos braços,cabeças e pernas, que são uma forma simbólica de explicar a maneira como a divindade se manifesta no mundo. É muito mais uma opção estética, que permite ao mesmo tempo mostrar uma grande diversidade de atributos.

Hécate não é boazinha,mas tampouco é uma deusa da morte assustadora. Hécate é feminina, nos extremos em que ser feminina também é ser uma "outsider", é carregar essa visão periférica cheia de fantasmas porque consegue ver aquilo que os outros não querem ver, aquilo que socialmente não fica no centro das atenções. Ela é uma deusa de coisas difíceis de lidar, de escolhas, estradas. De poder indomado.

Ela carrega uma parte no domínio de todo o resto, ela tem o favor de Zeus. Ela é uma deusa dispensadora de dádivas, e como todo deus dadivoso, ela é exigente. Seus atributos mostram o quanto ela não tem meio termo: ela carrega um punhal, uma tocha, um açoite, uma chave,objetos que não permitem ficar "em cima do muro".

Quando meu filho tinha três dias de vida, eu o apresentei a Hécate, pedindo que ela o protegesse. Tenho muito forte essa visão dela como protetora dos jovens, dos pequenos. Acho que as pessoas as vezes ficam um pouco obcecadas com aspectos mais "trevosos" (e que também são aspectos que as pessoas se apegam numa tentativa de parecerem mais fortes), e esquecem que Ela é muito mais do que uma deusa de "feitiços e fantasmas", mas uma deusa de proteção, de auxilio, de orientação. E quando não se tem força, é preciso aprender outros meios de se defender - veneno e maldição inclusive.

Mas quando é preciso pedir algo a algum deus, também se pede a Hécate para que ela intervenha em nosso favor.  E assim, Ela, que tem parte no mar, na terra e no céu, acalma as tempestades e auxilia, advogando pelas causas dos mortais.

Quando falo sobre Hécate, tenho a tendência a divagar. Porque ela é tão imensa e tão importante na minha vida, que não dá para escrever pouco...

1 comentários:

@robertarez disse...

Na minha vida também, mas a Hécate que vejo é meio diferente da sua. Vejo a mais como a mãe protetora, se bem que ela nunca me deixa ver seu rosto, sempre com um manto negro.

Ela me explicou meu fascínio pela morte, que até então eu considerava que fazia de mim uma suicida potencial, mas ela veio e sussurrou no meu ouvido que só existe vida porque existe morte. A morte que eu personifiquei se tornou Hécate, e eu entendi o quão ligada eu estava com a vida por amar a morte. E dai não foi difícil ver como protetora dos pequenos para mim, mais até do que senhora da magia e tals.

E recentemente ela parece querer me explicar meu amor por facas, mas esse eu ainda não entendi. rs

É, a gente se perde em Hécate, comentário gigantesco! :S

 

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