
Durante a primavera, eu fixei uma série de práticas semanais em honra a Dionísio. Este ano, eu me senti um pouco desanimada em cumpri-las, porque estou fisicamente mais solitária (sejamos realistas, em um aspecto não físico não dá para dizer que estou sozinha, com a Alex, o Jota, o Tinho, o Thi...). Me bateu um sentimento de "mas porque estou fazendo tudo isso?".
E então, como um raio de sol no meio das nuvens, eu percebi que não importa o que eu esteja vivendo, eu faço isso por Ele, faço porque carrego o tirso. Faço porque isso me leva a Ele.
Prática cotidiana. Minha religião não é pautada pelas coisas complicadas feitas de vez em quando, mas pela constância das práticas, muitas vezes simples. Pela constância é que se constroem os relacionamentos, sejam entre pessoas, entre espíritos, entre devoto e deus.
Desenvolver uma rotina de culto pode não ser a coisa mais simples, mas é muito bom. Não precisa ser nada obscenamente complexo, mas algo que você possa praticar de forma realista, que não vá falhar, que seja feito com constância e atenção.
Não precisa necessariamente ser algo feito com hora marcada e um tremendo planejamento. Pode ser um incenso e uma vela, um beijo jogado na direção do altar quando passa diante dele e uma prece silenciosa no batente da porta.
Existem momentos em que vivemos nossos deuses com intensidade, com insights, coração descompassado e aquela chama que parece que vai nos quebrar e queimar. Mas isso é só um pedaço do caminho.
E não, eu não falo isso apenas para os outros. Mas como um lembrete também para mim mesma, que as vezes visto a pantufa de jaca, que as vezes me sinto desanimada, e que as vezes me questiono se estou fazendo as coisas certas.