segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Palestra na Mystic Fair Brasil

Dias 8 e 9 de outubro acontece em Sampa city a segunda edição da Mystic Fair Brasil, um evento místico - esotérico - de espiritualidade, que se propõe a mostrar um panorama amplo do que acontece em diversos meios ligados a esses temas. É um evento bastante grande, e eu vou estar presente para mostrar um pouco do que é o Reconstrucionismo Helênico e do modo como cultuamos nossos deuses.

A proposta da palestra é explicar para o pessoal que segue diferentes caminhos quem nós somos, o que fazemos. É importante quebrar preconceitos e mostrar para as pessoas que existe mais essa possibilidade de caminho para reverenciar os deuses.


Então, nos vemos na Mystic Fair,

Domingo, dia 9 de outubro, às 21:00 horas, no Auditório 3
Palestra "Práticas reconstrucionistas no politeísmo helênico" com Sarah Helena

Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), unidade Anália Franco
Av. Regente Feijó, 1295, São Paulo - SP
(ao lado do Shopping Anália Franco)
(vans gratuitas para o evento saindo do metrô Carrão)
 ingresso da Mystic Fair - R$10,00


(para os que se interessam pelo tema, no sábado, dia 8, vou dar uma vivência na sala temática Tarô e Oráculos, de construção de arcanos de tarô, as 16:oo horas)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dia 7- Oração e reciprocidade

Reciprocidade é uma palavrinha que a gente não vê todo dia por ai.



reciprocidade
(latim reciprocitas, -atis)
s. f.
s. f.

1. Carácter.Caráter.Caráter do que é recíproco.
2. Mutualidade.



Algo que é mútuo. Uma via de duas mãos. Acho que para falar da oração dentro de um contexto helênico, é impossível não pensar nisso: estamos empreendendo um diálogo e entrando em um relacionamento. Nossos deuses não são "energias" distantes e onipresentes. Eles são indivíduos, com gostos pessoais, personalidade e bom, individualidade, mesmo.


Já ouvi muita gente comparar a relação com os deuses gregos com uma barganha. Comparação infeliz. Quando você ama alguém, você não gosta de fazer coisas especiais para esse alguém? A oração nesse caso é isso: as palavras que a gente fala enquanto dá um presente. Porque ningupem quer ficar em uma relação onde todo o ônus de se doar está nas mãos de um só: um só dá o outro só recebe. E os deuses nos dão muito, então nada mais justo do que ao invés de só pedir mais e mais como um filhote de cuco.


Digo isso porque normalmente, oração inclui uma oferta. Um incenso, uma chama, um objeto, um sacrifício. Nós oferecemos junto com nossas palavras algo que demonstre nossa boa vontade, nossa disposição de se doar ao divino. Um símbolo de que estamos ali dando o nosso melhor.

A estrutura das nossas preces é bem simples e fica muito marcado essa relação de individualidade dos deuses e de nossas relações. 

A primeira parte da prece identifica o deus ou os deuses com que estamos falando. Seus epítetos, seus feitos, uma "elegia" daquele deus. A segunda parte nos identifica. Quem somos nós, o que fizemos, como nos dedicamos àquele deus ou deuses. A terceira é a conversa propriamente dita, onde se agradece, ou se pede alguma coisa, onde se oferece algo ou se assume o compromisso de ofertar algo se for auxiliado (nada diferente das promessas feitas em tantas fés).  


Uma prece é um momento de praticar uma fala bacana. Onde você não se diminui, porque tem que mostrar que vale a pena ser ouvido, mas também deixa de lado a arrogância e se refere aos deuses com respeito, reconhecendo a óbvia superioridade deles. 


E nós ficamos em pé. Gosto disso. Nós não nos humilhamos, nos mostramos nosso rosto, nos damos a conhecer e assumimos nossa responsabilidade. Isso é ficar em é, afinal: é o se colocar no mundo de maneira ativa. Quando eu fico de pé diante do altar, eu estou demonstrando minha atitude e assumindo meu espaço. 


Não é preciso rituais elaborados todo dia, sabe. Uma oração bem feita e uma vareta de incenso com o coração limpo, já significam muita coisa.
 

domingo, 31 de julho de 2011

Sugestão de leitura infantil

Por influência do companheiro que tem sido muito gentil em aceitar minhas incursões religiosas com nosso filho, uma delas vou mostrar a corujisse ainda essa semana, comprei (mais) um livro de mitologia para o meu pequeno.

O nascimento de Zeus e outros mitos gregos se foca não nas aventuras famosas dos deuses e heróis, mas nos episódios das suas infâncias. Um livro para mostrar para as crianças a infância nos mitos e através disso, na própria cultura da antiga Hélade.

A postura de existe/não existe é menos agressiva do que em outros livros. Embora usem o termo imaginação para se referir aos mitos uma vez, o tempo todo existe um respeito pela cultura do outro, no caso,os antigos helenos, e na introdução a autora diz que por que os homens deixaram de ser valorosos e as pessoas só acreditam no que vêem nos jornais, a maioria dos deuses prefere ficar longe dos assuntos humanos e ficar em paz e sossego, aproveitando as praias e montanhas da Grécia. Achei um jeito interessante de colocar, já que o ideal mesmo, só o que a gente mesmo preparar de material de ensino para os nossos filhos.

No final do livro, depois dos dez capítulos de mitos, tem uma genealogia dos deuses e heróis citados, bem simplificada, um texto falando sobre como era a infância entre os gregos, as conexões entre mito e cotidiano antigo, e uma lista de sugestão de leituras e bibliografia, que inclui desde algumas coisas que eu não recomendo (como os livros do Lobato sobre mitologia e o Graves), até o próprio Homero (que a autora recomenda que mais tarde as crianças leiam já no texto dos mitos e que nas sugestões de leitura ela cita as adaptações da Ruth Rocha) e Grimal e Vernant.

Mais um ponto positivo é que ela explica que a cultura grega era oral e que é normal que as versões não sejam todas iguais e que variavam de quem estava contando, por isso não se deve estranhar se em outros lugares contarem as histórias diferente do que no livro.

As ilustrações tem um visual baseado nas cerâmicas gregas e mostram objetos cotidianos da época.

Forma geral, tem meu carimbinho de "gostei". Vamos ver o que o André vai achar.


O nascimento de Zeus e outros mitos gregos
texto de Adriene Duarte
ilustrações de Felipe Cohen
Coleção Mitos do Mundo
Editora Cosac Naify
 2007

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Oráculos (parte um de pensamentos sobre o tarô)

O tarot não é um oráculo grego. Mas um bocado de gente no século XX, por influência de Jung, eu acho, começou a interpretar o tarot a partir da perspectiva dos mitos gregos. Acredito que você pode contar qualquer história usando o baralho. Eu gosto do tarot, ele funciona bem para mim. E eu acabei traçando minhas relações. Como tarotista, como tarofila, não tarologa, como uma apaixonada mais do que como uma pesquisadora (embora para mim a pesquisa seja parte da curtição,rs).

Quando eu fiz parte de um grupo de culto (que não era recon, mas eu já tinha essa pegada no meu lado pessoal), o oráculo fazia parte do nosso processo de culto. E sendo a dionisíaca de plantão, acabei muitas vezes mergulhando naquele tempo de Delfos em que Dionísio estava sentado sobre seus ossos.

Desde então, quando o inverno chega, faz parte do meu culto e principalmente do meu serviço para o deus, fazer oráculos.

E foi com esse pensamento que dei minha oficina na Confraria Brasileira de Tarot. De que ali estava meu prazer, meu carinho pelo tarô, meu prazer em mostrar para as pessoas que podemos sim ser criativos, e meu serviço para meu deus. Segunda vez que sou recebida no espaço Faces da Lua, com muito respeito e carinho em ambas as vezes, mesmo seguindo trilhas que são tão diferentes, o que me trás muita esperança com relação ao meio pagão. 

A estrutura da minha oficina foi bastante prática (claro, era uma oficina). Falei um pouco sobre a história da imprensa, de como os baralhos foram tecnicamente desenvolvidos, de projeto dentro de arte, de símbolos. E então nos sentamos para produzir cada um seu arcano. A escolha era livre dentro dos arcanos maiores, para dar um foco. Fui ajudando um aqui, outro ali, colocando ideias e expondo, respondendo e ajudando.  Fiquei feliz e surpreendida com os resultados.

Acredito que o trabalho criativo é muito forte dentro da minha relação com Dionísio. Não só com ele, mas com Apolo, e com as Musas. Eu não sou ninguém sem as Musas. Mostrar para as pessoas que podemos nos desprender do vicio da sociedade em dizer que não somos capazes e podemos sim criar, porque isso é inerente à natureza humana, é algo muito especial e um serviço que me orgulho de prestar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tá vendo ali em cima a aba Dionísio?

Ela leva para meu site devocional, Santuário de Dionísio.
Ele está em constante construção e eu nem sempre consigo acrescentar mais coisas lá, mas quero implementar algumas funcionalidades lá logo logo.

Por hoje, está atualizada a sessão de Poemas e Hinos na parte de Textos Modernos, e Citações em Textos inspiracionais.

Espero que tenha alguma serventia para os outros devotos, esse trabalho que faço para agradar o Senhor Dionísio...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Praticidades da vida moderna, ou, um jeito fácil de não se perder no calendário

Outro dia a Alex disse que não era neopagã, mas neopolita. Eu ri. Também sou um bicho muito ligado à cidade, ao tecnológico.Não a toa, sou apaixonada por Hefesto.


E foi com a tecnologia que eu "resolvi" um problema que é uma reclamação frequente de quem não segue as religiões mainstream. É difícil não esquecer as datas festivas e celebrações sem uma sociedade inteira te lembrando disso.Quando seu calendário não coincide com o calendário oficial então, pior ainda. Como lembrar as entradas dos meses sem esquecer nenhuma?

E então eu retomei um hábito que antes inha feito e que dá muito certo e eu recomendo.

Conectei meu celular no computador, abri o calendário no site do RHB e coloquei lembretes com alarme em todas as datas de festivais, noumenias, libações.

Com isso, eu garanto que mesmo que não consiga fazer um graaaande festival, pelo menos consigo garantir a lembrança, um incenso, uma oração ou um hino, para cada data do calendário.

Parece besta, mas é algo que a gente não pensa e ajuda muito.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Dia 6-Crenças: Divinação, misticismo, e coisas assim

Eu uso algumas ferramentas de divinação. A primeira que usei na vida foi o I Ching, mas o que me pegou mesmo foi o tarot. Já leio o tarot faz metade da minha vida. Faz bem menos tempo, descobri o Mythic Oracle, que merece um post só sobre ele uma hora dessas, e agora estou lutando para aprender a usar os astragalos.

 
 É um oráculo genuinamente helênico, e as dificuldades são as mesmas de aprender os significados de qualquer outro oráculo. Os ossos que eu uso são réplicas de resina de ossos de carneiro reais.

As vezes, o oráculo é parte do nosso "serviço sagrado".

Eu sou uma pessoa "mística". Sempre fui. Desde o tempo em que a hóstia era carne e sangue do deus em minha boca até o meu tempo vagando em busca do meu caminho religioso, eu sempre fui uma pessoa que busca o mistério. Acredito que ele faz parte de toda experiência religiosa, embora também ache que as pessoas as vezes exageram, esquecendo das outras características que precisamos buscar.

Ser uma mênade, embora seja um compromisso para o longo da vida, não é algo que possa ser meu único foco o tempo todo. Porque eu entraria em colapso e não serviria de nada.

O mistério é aquele ponto em que o divino toca a terra, e o que ele produz é arreton/aporreton. É o inefável, que não pode ser expresso, ou que se expresso não será compreedido.

Não posso falar dos antigos mistérios. Do que acontecia em Eleusis ou em Tebas ou na Arcádia, ou na Trácia... isso o que sei é o que podemos aprender dos arqueólogos e teóricos. Mas existem mistérios hoje, se formando em nós.  E muitas vezes, aquilo que nós vemos e vivenciamos é tão belo e tão intenso, mas impossível de explicar...


Lista dos temas abaixo do corte


 

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