terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma carta aos ateus

Olá queridos ateus.

E digo queridos porque tenho um enorme número de amigos ateus. Funciona assim: eu não questiono sua falta de fé,eles não questionam minha fé. Mas eles retwittam um bocado de coisas. Postam links para vídeos, para textos, para artigos, sites. E eu sou, antes demais nada, anti clerical,e me divirto lendo piadas e coisinhas atéias. Acredito que a dúvida é saudável e que o ceticismo é um caminho tão válido quanto qualquer outro.

Justamente pelo grande respeito que tenho pelos ateus é que eu gostaria de expor alguns pontos que tem me incomodado bastante.

O primeiro deles é a postura "teleevangelista" de uma quantidade desproporcional de ateus. Eu espero que um ateu seja um humanista tolerante, como o são os ateus que convivo. Mas ao invés disso,encontro na internet um grande número de ateus crentes: atacam qualquer opinião diferente, de maneira agressiva e inconsequente, taxando todo aquele que tem fé como idiotas. Idiota é de fato a palavra preferida, junto com ignorante e inferior. Entendo que exista uma certa animosidade: assim como qualquer pessoa de religião não cristã tem um pé atrás com os cristãos depois de tantas agressões gratuitas. Mas acho que pé atrás não significa generalizações perigosas. E taxar o outro como inferior por ter um pensamento diferente do seu é fazer o jogo das religiões abraâmicas, que se acham superiores a todos os outros do mundo. Então imagine que estou eu, pacientemente tentando convencer alguém que ser ateu não torna ninguém maligno, e um desses ateus-crentes chega falando que somos todos uns incapazes ignorantes, idiotas que acreditam em papai noel. E lá vai minha conscientização e o trabalho de tantos ateus conscientes jogados na privada.

Ainda dentro dessa postura nós temos uma outra situação perigosa. São os ateus que adotaram a ciência como religião, no sentido ruim dessa palavra. Agarram-se a dogmas e escolhem alguns cientistas como profetas, e se recusam a falar do assunto exceto se for dentro de seus termos. Ai eu preciso ouvir meus amigos biólogos furiosos porque um infeliz deu um nome tão imbecil quanto "o gene egoísta" a um livro, atribuindo a um gene uma característica psicológica, o que gera uma impressão para lá de errada no público (e lembrando que a genética é por si só uma ciência que atrai multidões porque se adapta às idéias de superioridade, sexismo e intervenção exterior "divina" que são a base das religiões abraâmicas.). A ciência é algo genial- e eu me sinto abençoada porque na minha religião, ciência faz parte do processo. Mas a ciência é marcada pela moralidade, os preconceitos e as posturas da época em que ela acontece. E alguns ateus ainda carregam a visão positivista de uma ciência neutra e superior, racional e sem emoções que nos trará a salvação. Isso não é ser ateu, caramba. É esquecer a dúvida e a postura aberta diante dos fatos que caracteriza os ateus e se jogar numa realidade imaginária onde o nome do messias é Ciência.

Normalmente entre esses ateus estão os iconoclastas. Por iconoclasta entenda no sentido literal: os que acham que uma igreja barroca deveria ser demolida e seus santos queimados. Que diz que uma bomba deveria cair sobre o Vaticano. Eles acham que história não é ciência,aparentemente. E que a existência das religiões deveria ser banida. Eu sou arte educadora. Não posso falar deste assunto porque, tomada pela paixão, vou começar a mandar imprecações para todos os lados - eu abomino o desrespeito histórico, que é algo que nada tem a ver com fé.  

E por fim, eu gostaria de reclamar dos pseudo ateus que na verdade fazem o jogo das religiões abraâmicas, agem como eles e não percebem. Aqueles que consideram que religião é só o cristianismo-islamismo-judaismo. Que não enxergam as outras religiões todas. E imputam os crimes das religiões abraâmicas como se fossem crimes de todas as fés.

Minha religião, por exemplo. Me diverti um bocado com a tirinha "Os 7 pecados da religião" Mas percebi que por esse ponto de vista, eu não tenho religião, já que não praticamos proselitismo, consideramos que para conhecer a fundo nossa fé é preciso estudar o que a ciência tem a dizer mais do que o que os mitos nos dizem, valorizamos o prazer, acreditamos que a racionalidade é importante na compreensão da vida, convivemos com os diferentes e expomos publicamente qualquer um que aja com hipocrisia. Claro que tem gente mala ou sem noção - isso é geral no mundo, não estou escrevendo esta carta justamente motivada pelos ateus sem noção? Mas de todo modo, partilho da visão religiosa dos mesmos filófosos gregos que muitos ateus citam, porque, independente de religião, eram homens sábios.


Mas eu preciso dizer que me incomoda. Muito. Agir como se apenas as religiões abraâmicas fossem religiões é concordar com o que essas religiões dizem sobre serem as únicas verdadeiras. Além disso, existe um desrespeito contra as religiões tribais, animistas e não eurocentristas. Reflexo, novamente, de uma visão distorcida do positivismo, em que os antropologistas consideravam que havia uma escala de evolução na fé humana, indo do mais selvagem, mais inferior, no animismo, e "evoluindo" até chegar no monoteismo que seria uma religião "superior". É como se um grande número de ateus tivesse apenas acrescentado um degrau a essa pirâmide, e não fosse capaz,ou não desejasse saber que todo o estudo antropológico do século XX e XXI refuta essa teoria, que é preconceituosa e descabida. Ninguém é inferior por acreditar ou não em algo. Eu refuto o conceito de que algum ser humano seja inferior. Mas no muito, podemos dizer que o que importa é aquilo que fazemos de nossa fé ou nossa ausência dela - e ambos os caminhos são justos e válidos.


Lendo o site do Ateus.net, encontrei um texto delicioso de A.C. Grayling, entitulado Tolerância. Repito aqui um trecho do artigo, para fechar por hoje e na esperança de que nesse caminho de tolerância nos inspire a todos:


É possível tolerar uma crença ou uma prática sem a aceitar. O que subjaz à tolerância é o reconhecimento de que o mundo é suficientemente vasto para permitir a coexistência de alternativas, e se nos sentimos ofendidos pelo que os outros fazem é porque já nos deixamos envolver demasiado. Toleramos melhor os outros quando sabemos como tolerar-nos a nós mesmos; aprender a fazê-lo constitui um objetivo da vida civilizada.



abraços cordiais.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Libação a Atena

Foi lindo. E peço desculpas por não ter falado sobre isso antes. Mas essa semana foi frenética - e ainda vai render pelo menos mais dois posts. Um, sobre o domingo em companhia de Ares que passei no 2º Batalhão de Infantaria Leve em São Vicente, no meio de um pessoal muito bacana (e da louca vontade de voltar para casa com uma faca glock). Outro, sobre currículos e história pessoal.O fato é que ainda não consegui sentar e respirar, pensando em tudo que significou essa libação até hoje, quando parei alguns minutos e pensei: "uau,nós fizemos mesmo".


Como sempre, a CPTM decidiu me sacanear e as obras na linha férrea me atrasaram mais de meia hora. Encontrei o Jota e o Vinícius no metrô, e fomos para o Ibirapuera encontrar o Antônio.

O Antonio chegou antes de nós e fez um "reconhecimento geral" do parque. Assim, paramos em um canto mais discreto onde pudemos ficar mais a vontade, e montamos nosso pequeno altar.

A libação tem uma estrutura relativamente simples. Eu imprimi um "folheto" com nossa pequena liturgia, inclusive os hinos. Nós fizemos um rito bonito e eu fiquei muito feliz. Depois, sentamos para conversar e compartilhar um pouco.

Não adianta, a net é ótima, mas as vezes é bom poder falar ao vivo de certas coisas. Partilhar ansiedades, discutir idéias. E planejar estarmos juntos de novo - o plano é nos encontrarmos para todas as libações, mês a mês.

Foi genial poder estar lá, ao vivo, junto com outras pessoas. Existem coisas do convívio religioso que o caminho solitário não tem- seja a risada pelo esquecimento de um saca rolhas ou o sorriso silencioso quando alguém termina a leitura intensa de um hino.

Não foi perfeito, claro. Porque foi nosso primeiro, e se fosse perfeito, como poderiamos melhorar mais a cada vez? Mas foi ótimo e mosrou um caminho, que se delineia deliciosamente diante de nós.

E vocês podem ler aqui no Aktaios o post que o Jota fez sobre a libação =). E no multiply, tem um álbum com as fotos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dica pro twitter

Eu achei (mentiraaaaaa, alguém deu rt, não sei se alex, thiago ou quem) um twitter muito legal de seguir, o @HellenicPrayer . Basicamente, esse cara posta pequenas preces de 140 caracteres para os deuses gregos... ele tem um blog também, mas ainda não tive tempo hábil para fuçar no blog como se deve.

Agora, todo dia eu tenho as palavras do @DalaiLama me impedindo de entrar em frenesi assassino  quando chego ao trabalho, de manhã, e essas preces helênicas delicadas para mover minha mente no resto do dia.

Recomendo, não vai atulhar o twitter de vocês e é uma leitura muito gentil para os olhos...

domingo, 4 de julho de 2010

das alegrias simples da vida

Comprei uma garrafa de vinho colônia hoje. Vinho colônia é o nome que se dá aqui em terra brasilis aos vinhos feitos por pequenos produtores, de forma artesanal  ou semi artesanal, e em esse nome por sua ligação com as colônias de imigrantes. Por motivos óbvios, é o vinho que eu prefiro para minhas coisas dionisíacas. Mas eu não tinha nenhum lugar onde comprar vinhos assim por aqui. Hoje, saimos sem muito rumo, "pegamos a estrada" e achei esse lugar onde compramos garrafas de vinho colônia, sem rótulo, tiradas do barril que estava ali do nosso lado. 

Um vinho doce, encorpado e feliz. Uma alegria simples como o esquilo que corria pela varanda da mercearia.

sábado, 3 de julho de 2010

Libação a Athena- vamos celebrar juntos!

Aos helenistas de Sampa e adjacências, a quem estiver por aqui,  e até algum não helenista curioso sobre reconstrucionismo (olá, João!), dia 11 de julho estaremos no parque do Ibirapuera celebrando a libação à Athena.

As libações do Hellenion são marcadas aos sábados. Mas por motivos civis, fica difícil um encontro no sábado durante o dia. Assim, decidimos nos encontrar no domingo para celebrar.


Nos encontraremos às 14:00 horas no metrô Brigadeiro, e de lá pegaremos um ônibus para ir para o Ibirapuera juntos. Se você estiver interessado em participar, peço que gentilmente me avise antes, aqui nos comentários, deixando seu email, para acertarmos os detalhes (e se quiser nos encontrar direto no Ibirapuera, precisamos trocar números de telefone, porque decidiremos chegando lá onde vamos ficar).

sábado, 26 de junho de 2010

Ares, a força da guerra, os aprendizados de Ares e um deus estrangeiro

Quem me conhece sabe. Sou uma pessoa da guerra. Tenho uma natureza explosiva, um gênio difícil e a paciência curta. Conviver comigo significa conviver com explosões de raiva e eventuais patadas, que embora não sejam intencionais, machucam. Para ajudar, sou aguerrida, defensora de quem precisa, apaixonada pela história da guerra. Eu não acredito na paz. Toda paz é, necessariamente, um armistício entre duas guerras. Parece cruel, eu sei. Mas é só pensar que, historicamente, nunca houve cem anos seguidos de paz sobre a face da Terra.  A busca pela paz é algo íntimo, não exterior, os samurais já nos ensinam isso.

 Mas se engana quem acha que ser cabeça quente e ter um "gênio ruim" me fazem amar aos deuses da guerra porque eles me permitam essa falha. Pelo contrário. Poucos dias atrás, estava mostrando a uma amiga o que eu repito sempre que preciso de calma, e foi divertido a surpresa dela de que fosse um trecho do Hino homérico a Ares:


Hino Homérico VIII - A Ares
(tradução Alexandra Nikasios)

Ares, de força extraordinária, condutor da biga, de elmo dourado, valente de coração, portador do escudo, salvador das cidades, de brônzea armadura, braço forte infatigável, poderoso com a lança.

Ó defensor do Olimpo, pai da Vitória bélica, aliado de Têmis, severo governante dos rebeldes, líder dos homens justos, Rei com o cetro da virilidade, que gira sua feroz esfera entre os planetas em seus sétuplos cursos através do éter, no qual seu corcel flamejante sempre te leva acima do firmamento do céu; ouça-me, auxiliar dos homens, doador da destemida juventude!

Verta um gentil raio de cima sobre a minha vida, e a força de guerra, que eu possa ser capaz de afugentar a amarga covardia de minha cabeça e de esmagar o doloso engano em minha alma. Retenha também a afiada fúria de meu coração, a qual me provoca a trilhar os caminhos da disputa de pavoroso sangue. Antes, ó abençoado, dê-me coragem para perseverar dentro das inofensivas leis da paz, evitando a contenda e o ódio e o violento espírito maligno da morte.


"Retenha a afiada fúria de meu coração"; E nos últimos dias, eu tenho pedido isso constantemente.

Tenho andado com a palavra "ataraxia" rabiscada no pulso, para não me esquecer. É uma palavra que ilustra um conceito dos estóicos e epicuristas, vem  de ataraktos, imperturbado: (a = não; tarassein, tarak- = perturbar). Esse ser imperturbável tem mais de um sentido, mas eu uso no sentido mais "chulé" mesmo, de não se deixar perturbar pelas questões da vida, ou como eu disse lá em cima, entender que a paz é algo íntimo, que deve ser mantida em qualquer ambiente.

 Acho que esse é um dos grandes aprendizados que a guerra trás, e é algo que os deuses da guerra me ensinam constantemente. Ser forte, simples, "impecável". O guerreiro é um arquétipo que está presente em todas as fés, em todos os lugares do mundo. Não a toa, o Arte da Guerra de Sun Tzu já esteve presente em mais de um altar para Ares que eu fiz. O Bushido me é tão importante quanto os livros romanos sobre guerra, e os relatos da campanha de Filipe e Alexandre Magno. Só não sou fisicamente guerreira, porque o exército brasileiro me considerou inadequada ao serviço.



Anteontem eu estava diante do altar da guerra, acendendo velas, queimando incenso e recitando hinos. É o dia do mês que eu separei para honrar os deuses da guerra. Dia 23.Esse é o momento em que as pessoas dizem, "epa, como assim?". Pois é. Eu escolhi o 23º dia do mês civil para honrar os deuses da guerra.

Não foi uma decisão fácil. Na verdade, foi um momento bem complicado para minha vida espiritual.

Ano passado, eu acho, foi que aconteceu. Não vem ao caso como, mas descobri que, para o panteão afro-brasileiro, sou filha de Ogum. E saber de que orixá você é filho não é como saber seu signo em um horóscopo. Para mim, que sirvo aos deuses, é algo que exige respeito. Nos meses que se seguiram, eu tive uma série de sonhos, muito belos, assustadores e intensos, onde meu pai Ogum me mostrou que, se eu quisesse, ele estava esperando pelo meu serviço. Foi um momento curioso quando contei os sonhos para algumas pessoas e descobri que tudo que eu descrevi era mesmo parte dos processos sagrados do candomblé (eu só vi uma gira de camdomblé na vida, não imaginava como seria a coisa "por dentro").

Então eu, me sentindo o pior do seres humanos, agradeci, e disse a Ele que não podia. Que eu tinha um compromisso e obrigações assumidos com os deuses gregos.

Eu diria que, para um deus da guerra, Ogum é muito gentil. Mas eu continuei sonhando com ele e me sentindo culpada com a situação toda de dizer não a um deus (que é um deus que eu levei dois minutos para amar).

Então eu li isso aqui:

A prática de incluir deuses estrangeiros na estrutura do politeísmo helênico era autêntica. Há vários casos na Grécia Antiga nos quais a deidade de outra cultura foi trazida para dentro da religião grega e fazia parte dela. Cibele, que era originalmente da Ásia Menor, adquiriu significativos seguidores na Grécia. No período helenístico, muitos deuses do Egito encontraram seguidores gregos, especialmente Ísis, que foi cultuada por várias pessoas por todo o império romano. Isso não significa um endosso ao tipo de ecletismo às vezes visto na comunidade neo-pagã, tipo misturando e comparando panteões e tradições para se encaixar nos caprichos de alguém. Mas há formas apropriadas de incluir um ou dois deuses de outros panteões na prática politeísta helênica sem comprometer sua integridade. A chave é realmente aprender sobre o sistema do qual a nova deidade vem, e como esse/a deus/a pode se encaixar no sistema helênico.
(Fonte: Sarah Winter, no livro "Kharis", traduzido por Alexandra.)

E foi assim que meu coração sossegou. Quando eu me comprometi a reconhecer o papel de meu pai em minha vida, e prometi a ele uma vela a cada dia 23 como reconhecimento a ele. E foi assim que um medalhão com a imagem de São Jorge (não acho uma imagem do orixá que seja pequena o bastante para caber no espaço que tenho) foi parar no Altar da Guerra, junto aos Curetes, a Ares, a Athena e a Thêmis (para que a guerra em mim sempre siga os passos da justiça). Agora, Kheiron, o professors dos heróis, e Hércules, também vivem no altar da guerra, enquanto não consigo fazer um altar só para os heróis. Foi assim que todo dia 23, uma vela vermelha e uma vela azul são acesas no altar da guerra, e então eu queimo incensos, leio hinos e trechos de textos que falam sobre guerra e virtude, recito um ponto ou poema sobre Ogum. Dia 23 de abril eu usei uma camiseta com a imagem dele, como uma maneira de honra-lo (e não posso evitar pensar também em Ares quando vejo a imagem de um são jorge nú, só de capacete e grevas, que é a da camiseta.). Tomo o cuidado de oferecer o que posso, sem nada que pudesse ser considerado ofensivo a Ele, e me mantenho no serviço aos Deuses com quem comprometi minha vida, que são os deuses dos antigos helenos. 

Para quem é pacifista, o meu respeito. Mas eu sou uma criança da guerra, e meu coração vive em chamas... =)





para quem quer ler um pouquinho mais sobre essa relação entre diferentes fés, a Alex fez um ótimo post no blog dela, leia aqui.

E um vídeo muito legal do youtube que é, basicamente, Ares passeando sobre a Terra, aqui.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

asas


Passo pela porta e olho a imagem de Hermes, com os fones bluetooth pendurados nela, as moedas espalhadas pelo oratório, a tartaruga, o globo terrestre. Sorrio. Penso em como Hermes é um deus que se espalha, que se ocupa de nós. Em como Ele é um daqueles deuses que sempre dá um jeito de mandar a vida cuidar de nós, seja com carinho ou um chute na bunda.

Peço uma benção, silenciosamente, e sigo em frente para enfrentar um outro dia.
 

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