sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Algumas verdades sobre o reconstrucionismo 1

Se tem algo que eu sei que as pessoas pensam com frequência é que reconstrucionistas são a)nerds b)fechados c)arrogantes d)intelectuais.  E que o reconstrucionismo é uma religião difícil, complicada, que não é para qualquer um.

Então, antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisa, com meu jeitinho peculiar e delicado. 

Isso tudo é uma PUTA mentira. 

É como dizer que todo católico é cabeça fechada ou todo wiccano é um pink wicca. É dizer que todo espírita é preconceituoso e que a vida de quem é da umbanda "anda pra trás" por mexerem com espíritos. É preconceito, é julgar o todo por alguns.

Então vamos desmistificar um pouco a coisa. 

Para começar, reconstrucionismo não é uma religião. É um método. Então existe reconstrucionismo celta, nórdico, egípcio, grego... é um método que pessoas (e organizações) usam para orientar suas práticas. 

Dentro da idéia de que desejamos fazer nossas práticas o mais parecidas possível com as práticas dos antigos povos que cultuavam os deuses que hoje em dia cultuamos. 

(Quer um exemplo de metodologia reconstrucionista? Aqui vão alguns: As religiões de matriz afro mais tradicionais que surgiram na América com a vinda dos escravos. São religiões que usaram as possibilidades do lugar onde chegaram, adaptando sua antiga fé, mas baseando suas práticas naquilo que resgataram das tradições originais dos povos de origem na África. Exemplo tosco, talvez, mas a idéia é essa. Adaptar a uma nova realidade, mantendo as estruturas que importam. Ou aquele pessoal que tenta resgatar formas mais primitivas de cristianismo.)

Não é difícil ser reconstrucionista helênico. Existem páginas na internet em que você encontra todo o básico que é preciso ler para poder cumprir os ritos. Em português mesmo, você tem o ótimo site do RHB. Se consegue ler em inglês, eu recomendo uma lida no Sponde!. Mas de todo modo, a coisa é muito simples. 

Tem algumas boas almas que mantem calendários online, então o trabalho mais bruto de saber quando os festivais acontecem, já que eles não coincidem com o calendário gregoriano, está feito, nós só precisamos usufruir. 

Um ritual helênico é muito mais simples que um rito wiccano ou uma missa, porque é uma religião onde os sacerdotes não são o foco. O grosso do trabalho devocional era feito pelas famílias, e portanto o básico do culto é feito para que qualquer pessoa comum consiga lidar com ele.

Você não precisa ter todos os mitos decorados. Você não precisa ser especialista em todos os deuses e não, não precisa cultuar todas as centenas de deuses do panteão.


Você não precisa cumprir todos os festivais que estão no calendário. Pense um pouco nos católicos: eles tem dias santos quase todo dia. Mas cada católico cumpre apenas uma meia dúzia de festivais comunitários, e as festas de seus santos de devoção. 

Com os recons é a mesma coisa: existem alguns festivais que quase todo mundo costuma cumprir e que acabam sendo mais comunitários (ou, no caso do Hellenion, existe a sugestão das libações mensais para cada olímpico), mas você vai celebrar os festivais que dizem respeito a suas necessidades de culto. Por exemplo - eu cumpro só dois festivais de Atena, mas cumpro todos os festivais a Dionísio que eu puder.

Existem muitos livros bons em português. Só a Ilíada e a Odisséia, a Teogonia, Os trabalhos e os Dias, e os Hinos Homéricos já são material para ler por um tempão. E se quiser ler autres modernos falando sobre os deuses, tem Vernant, Otto, Detienne, e mais uma porrada de autores que foram traduzidos. Inglês ou grego como segunda língua não é um pré requisito.

E não precisa se assustar com aquilo que é preciso ler ou estudar. Se você estiver seguindo seriamente qualquer religião que seja, isso vai demandar algum estudo, alguma leitura, como qualquer coisa nova que se está aprendendo. Mas nada que vai ocupar todo o seu tempo e te deixar atulhado de coisas para ler, exceto se ler for um hobbie seu. Se ler for seu hobbie, ai sim vc pode passar muito tempo lendo.

Reconstrucionistas não tem pedigree. Ninguém aqui vai dizer que o jeito como você cultua os deuses está errado. O que nós vamos dizer, isso nós vamos mesmo, é que se alguém estiver dizendo que algo é feito como os antigos gregos faziam, e isso for uma mentira, nós vamos falar, “não, os antigos não faziam assim.”.

Nós não temos nada contra inovações: existem vários festivais modernos no calendário, todo mundo faz adaptações para adequar seu culto ao lugar e situação que vive. O que somos contra é alguém fazer propaganda enganosa de algo na tentativa de fazer com que uma prática se torne mais respeitável por ser antiga, tradicional, quando não é.

O Ruadhan, do Urban Hellenistos, escreveu um texto muito bom sobre o assunto, e eu vou traduzir (ou tradutosquear) aqui para vcs um trecho dele:

(...)Então seria justo dizer que Reconstrucionismo Religioso seria dificilmente o ato de fazer algo exatamente como era ou como acontecia antigamente. Não que reconstrução não seja algo meticuloso, mas não é como deixar inteiro um vaso que foi quebrado – você ainda pode ver a cola mantendo os fragmentos juntos, e mais significativo, você pode ver que há fragmentos sendo mantidos juntos. Outra analogia popular é a de pegar uma casa que foi danificada por uma enchente ou um incêndio e reconstrui-la. Você não vai faze-la exatamente como era antes, você sabe. Se a casa era antiga o bastante para ter sido pintada usando tinta com chumbo na composição, boa sorte em conseguir fazer isso hoje em dia. Se ela era tão antiga, propvavelmente havia fiações, canos de água ou calefação que não se encaixam nas regras modernas – novamente, boa sorte com isso. Uma coisa que é reconstruída nunca é exatamente aquilo que era antes – se fosse exatamente como era antes, não precisaria ser reconstruído, isso é um fato básico.
(…)
Reconstrucionismo religioso não é nada mais que formar uma hipótese, uma suposição educada, e em boa parte das vezes, formar várias hipóteses de como algo devia ser, ou que alterações no sistema elétrico você vai precisar fazer. Ainda que exista uma grande quantidade de evidências sobre o que os antigos helenos (e outras tribos) praticavam ou não e em que acreditavam, ainda existem muitos vazios a serem preenchidos com massa, muitos canos corroídos  precisando de troca, e muitas questões cujas respostas originais há muito desmancharam em pó, mas essas questões ainda precisam de respostas  (...) [sobre o blá blá blá de quem é ou não reconstrucionista] se você está de fato praticando sua religião em uma forma e espírito consistente com o da antiga Hellas, então isso fala por você. Se não está, é entre você e os deuses apenas para julgar se isso é impróprio ou ímpio.


 Então é isso. Espero que esse post sirva para começar a diminuir a idéia de que Reconstrucionismo Helênico é difícil ou não é para qualquer um, que seja preciso muito para ser reconstrucionista.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Um pouco só para lembrarem que não me esqueci daqui

É só que estou um pouco me organizando neste começo de ano, meu notebook está morto e eu estou tentando colocar muita coisa da minha vida online no lugar.

Enquanto isso, leiam o ótimo artigo da Alexandra no Ideon Antron, da Thyrsos sobre sacrifício.

Por aqui, me preparando para a Lenaia. 

E logo um resumo do meu calendário...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

dia 5- sexualidade sagrada

Eu poderia falar um pouco sobre o antigo culto a Afrodite e sobre algumas pessoas que conheço que tem uma prática onde o sexo é parte integrante do pacote. Mas se o foco aqui é meu ponto de vista, em um nível mais pessoal, então eu acabo chegando no mesmo lugar de sempre: Dionísio.

As vezes se forma em mim a idéia de que se um dia eu terminasse com meu companheiro, eu faria um voto e ofereceria meu corpo para meu deus. Não acho que isso fosse ser um voto total de castidade, mas com certeza faria com sexo fosse algo muito mais que raro.


Eu vejo o deus do vinho como um amante. Tem um trecho muito legal do Swami Krishnapriyananda Saraswati sobre Krishna que mostra bem como eu vejo isso:



"De acordo com o Sanatana-dharma, o conceito de perfeção espiritual está em subrepujar os sentimentos de medo, e reverenciar a Deus na Sua majestade. Portanto, nos passatempos do Senhor, cada devoto ama a Deus de acordo com o seu sentimento, seja como melhor amigo, uma criança arteira, um grande mestre, ou até mesmo um íntimo amante; isso desvela a forma das infinitas possibilidades de amor a Deus e do Seu amor divino. Os passatempos ou Lilas dos tempos de infância de Krishna em Vrindavana, ilustram a extraordinária intimidade que se pode ter com Deus. "

A extraordinária  intimidade que se pode ter com Deus. Para mim, isso se reflete em ter uma relação de amante com meu deus. Eu penso nele com aquela doçura adolescente e o vejo como o ideal do que se pode desejar em uma pessoa (eu sempre busquei pessoas que tenham algo dionisíaco), eu escrevo seu nome enquanto estou distraída rabiscando ao telefone, eu suspiro quando penso em cada instante ínfimo de intimidade que posso ter com meu Senhor. Eu desejo me perder na presença dele e entendo o transe como uma intimidade sensual. Sou apaixonada por ele. Eu fico corada quando as pessoas fazem algum comentário sobre minha devoção.

Como costumo dizer, eu sou uma groupie do meu deus.

As pessoas tem uma visão pequena de sexualidade as vezes, como se sexualidade fosse só sexo. Sexo é parte disso, mas não é tudo. Minha relação com o divino é uma relação sensualizada. De frio na barriga, de morder o lábio em expectativa, de repetir os nomes amados para ter a sensação de proximidade. De desejo, de suspiros.


ps- eu sei que não falei de Zeus no post, mas coloquei como tag. É que eu tenho a mesma pegada de apaixonamento por ele.

imagem - mural da vila dos mistérios, Pompéia

terça-feira, 30 de novembro de 2010

As coisas de todo dia.

Hoje estava dando uma geral nos blogs que costumo ler (uma boa parte deles está ali no blogroll). E foi curioso porque um post no House of Vines veio em uma direção muito próxima de um pensamento que eu estava tendo.

Durante a primavera, eu fixei uma série de práticas semanais em honra a Dionísio. Este ano, eu me senti um pouco desanimada em cumpri-las, porque estou fisicamente mais solitária (sejamos realistas, em um aspecto não físico não dá para dizer que estou sozinha, com a Alex, o Jota, o Tinho, o Thi...). Me bateu um sentimento de "mas porque estou fazendo tudo isso?".


E então, como um raio de sol no meio das nuvens, eu percebi que não importa o que eu esteja vivendo, eu faço isso por Ele, faço porque carrego o tirso. Faço porque isso me leva a Ele.

Prática cotidiana. Minha religião não é pautada pelas coisas complicadas feitas de vez em quando, mas pela constância das práticas, muitas vezes simples. Pela constância é que se constroem os relacionamentos, sejam entre pessoas, entre espíritos, entre devoto e deus.


Desenvolver uma rotina de culto pode não ser a coisa mais simples, mas é muito bom. Não precisa ser nada obscenamente complexo, mas algo que você possa praticar de forma realista, que não vá falhar, que seja feito com constância e atenção.


Não precisa necessariamente ser algo feito com hora marcada e um tremendo planejamento. Pode ser um incenso e uma vela, um beijo jogado na direção do altar quando passa diante dele e uma prece silenciosa no batente da porta.

Existem momentos em que vivemos nossos deuses com intensidade, com insights, coração descompassado e aquela chama que parece que vai nos quebrar e queimar. Mas isso é só um pedaço do caminho.

E não, eu não falo isso apenas para os outros. Mas como um lembrete também para mim mesma, que as vezes visto a pantufa de jaca, que as vezes me sinto desanimada, e que as vezes me questiono se estou fazendo as coisas certas.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

dia 4- Nascimento, morte e renascimento

Uma das coisas que me ligam a Dionísio é que eu vejo a vida como uma sequência de mortes. Quantas vezes morremos e renascemos durante o tempo regulamentar de uma vida?

Quando meu filho nasceu, eu passei por um momento muito intenso com relação a minha religiosidade. Acho que foi um momento de mudança de foco, que me fez mergulhar em Leto e na idéia de uma mãe que luta pela sobrevivência/reconhecimento de seus filhos. Inegavelmente, dar a luz é um momento mítico. Ainda mais para mim, que optou e lutou por um parto natural, não hospitalar.

É difícil falar em nascimento, mais doq ue falar em morte. Nascer é algo violento, sangrento, e lindo, mas de uma beleza que é aporreton, que não pode ser dita, porque pertence a um domínio fora das esferas cotidianas. Nascer é um mistério: não a toa Ártemis olha pelos partos - ela é uma deusa que guarda coisas que não podem ser vistas/ditas.

O nascimento foge do racional, e quando feito em sua natureza, nos carrega para dentro da natureza mítica, é uma forma de iniciação. Não acho que seja a única, ou que seja melhor ou pior que outras,mas é uma iniciação. E uma em que participamos não só como mães: todos nós passamos pelo parto como filhos de algum modo, e isso diz algumas coisas sobre nós.

Acredito que isso diga muito sobre nossa personalidade, e sobre como reagimos ao mundo.Algo de nós é moldado por essa primeira iniciação.

A morte é uma proximidade muito grande do nascimento. De fato, é como se fossem duas coisas muito parecidas. Não a toa, deseja-se para as parturientes uma "boa hora" - mas boa hora é como chamamos tanto o parto como a morte.


Morrer é apenas não ser visto/ morrer é a curva da estrada já dizia Fernando Pessoa. Para mim iso define tudo. Meus mrotos me deram tantos sinais que me acostumei com a idéia de que a morte é algo natural. Doloroso? Com certeza. Mas natural.

Eu sou devotada a Hécate e isso me deixa numa complicada situação. Eu sou a pessoa que vela os defuntos, ritualiza as passagens, age como psicopompe quando é preciso. Não é confortável - é só algo que faço bem e que me foi colocado entre minhas muitas funções terrenas. E lá vou eu carregando moedinhas nos bolsos quando vou aos velórios, acendendo velas e expulsando os keres.

Mas a morte pra mim carrega algo de esperança. Porque Persefone desceu ao Hades para nos trazer esperança. Porque Dionísio morreu e renasceu e porque há algo de fragmento dele em nós, talvez.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Coisas bacanas do fim de semana - Indicações de leitura iniciais

Esse fim de semana eu fui convidada para falar sobre reconstrucionismo helênico em um espaço wiccano chamado Faces da Lua, pelo Edu Scarfon.

Foi muito bom. Surgiram muitas idéias, as conversas foram produtivas e eu vou postar algumas coisas aqui que sairam das conversas lá.


A primeira é: Eu não conheço nada de mitologia. Por onde eu começo?



Eu acho que para começar do básico mesmo, eu recomendaria a coleção Mitologia Helênica do Menelaos Stephanides. São oito livros voltados para o público juvenil, que pegam um geral da mitologia e que tem uma leitura bem fácil. São bons para começar, porque suas versões dos mitos não tem distorções muito agressivas.

Se você já conhece de mitologia helênica e quer se aprofundar, mas ainda não sabe bem por onde, eu recomendo ler a Teogonia de Hesíodo. Não é um livro que responda suas perguntas: pelo contrário, é um livro que te trás um monte de perguntas, o que é muito saudável. E ele dá uma base boa para se situar: começa do Caos que existia antes de tudo e vai até os filhos de Zeus, em uma ordem relativamente cronológica. E você acha online algumas versões.

A partir daí, com certeza você vai ter deuses que te chamam mais a atenção. E eu recomendo ir a partir deles.

Mas forma geral, acho que todo mundo deveria ler Mito e religião na Grécia Antiga, do Jean Pierre Vernant. Ele serve para muitas coisas,inclusive tirar o medo da leitura acadêmica. São 100 páginas só, com uma leitura muito gostosa.  

Eu tenho mais um monte de coisas para escrever do que veio deste fim de semana. Continuo durante a semana.

Ah sim. Sobre reconstrucionismo helênico em portguês, nós temos um agatho daemon chamado Alexandra que facilita a vida de quem não fala inglês imensamente. Clique na guia "RHB" ali em cima, e você vai para o site do Reconstrucionismo Helênico no Brasil, onde tem, em português, super acessível a qualquer um, todo o básico necessário para quem quer cultuar os deuses nessa base.


Abraços e até mais.

domingo, 7 de novembro de 2010

Dia 3- Dvindades

Eu sou uma pessoa que leva a sério ser "hard polytheist". Eu acredito que os deuses todos do mundo existem. Eu acredito até que John From existe e abençoa seus seguidores.

E eu acredito firmemente que cada deus é uma entidade individual, e embora alguns deuses sejam muito parecidos, são raríssimos os deuses que eu considero que sejam o mesmo com nomes diferentes.

Muita gente acha que eu sou exagerada. Quer dizer, John From? E Jeová? E todos os 300 mil deuses chineses? E o deus de cada lago, montanha, rio, caverna? E que o príncipe Phillip se tornará um deus quando morrer?

Sim, todos todos todos. Minha nossa, nós somos bilhões de pessoas, porque esses deuses todos não exisiriam?

Eu também não acredito muito em livre arbítrio. Por isso acredito que meu destino era servir aos deuses gregos e não a outros. O que eu pude escolher foi a maneira como eu Os serviria, talvez. Ou talvez, por algum motivo, eles tenham reparado em mim e decidido me tocar, e por isso esse passou a ser meu destino. Mas posso dizer que já tive experiências significativas com deuses de diversos panteões, inclusive experiências que me levaram a cultuar certos deuses dentro do panteão grego.

Kwan Yin, por exemplo, já foi uma deusa focal no meu dia a dia. Quando Leto apareceu na minha vida, a idéia de cultuar uma deusa de gentileza já fazia parte de mim. Shiva me levou pelas mãos até Dionísio e eu serei grata a Ele por isso sempre - e ao mesmo tempo, eu aprendi a amar Shiva por quem ele é. Muitos deuses são apaixonantes. Mas eles não me fazem sentir aquela fúria, aquela chama dentro do peito, que os deuses dos antigos helenos me fazem sentir.


E eu não acredito que deuses morram. Eles podem não ter mais seguidores, e podem até se retirar da vida das pessoas. Mas acredito que cedo ou tarde, eles decidem tocar alguém. E por alguém pode ser humano, ou uma pedra.

Talvez seja por eu ser tão aberta em ouvir a voz de qualquer deus que seja que meu culto foi tomando ares um tanto incomuns e eu acabe prestando devoção a diversos deuses cujo culto hoje em dia é incomum ou marginal.

Eu poderia passar três vidas só aprendendo sobre os deuses. E sempre penso naquele verso de Álvaro de Campos:

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-rne,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
 

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