quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hellenion =)

Hoje, cheguei em casa do trabalho (quarta feira é meu dia ruim lá), e me esperava um envelope branco. Dei um gritinho histérico que quem me conhece sabe que significa "empolgação ao máximo" porque eu sabia muito bem o que era o único envelope que eu estava esperando.


Dentro do envelope, estava minha pastinha de boas vindas ao Hellenion. Cheia de coisinhas legais. 

Nas palavras deles mesmos: 


"A Hellenion é uma oganização dedicada à promoção e ao apoio à reconstrução do Politeísmo Helênico. Nossa sociedade e grupos locais afiliados trabalham para reviver, na prática moderna, os antigos rituais, práticas religiosas e crenças éticas da adoração dos Deuses e Deusas da antiga Grécia e outras áreas helenizadas do Mediterrâneo a cerca de 700 ATC a 394 DTC."

Ou, como a gente fala aqui em casa: é a igrejinha. 
É a organização que me dá um embasamento e apoio ao meu caminho como reconstrucionista. Eles tem um programa de educação de adultos que é ótimo, para se desenvolver e entender profundamente como as coisas são.  Ano que vem,assim que começar uma turma eu vou fazer essa formação.

Esse imã gigante foi uma das coisas que eu amei. Por causa da frase: "Os deuses do Olimpo vivem"

Acho que isso resume muita coisa, né. Os deuses vivem. E nós... nós os adoramos.

Eu poderia escrever muuuuito mais. Mas depois tem muito mais pra falar...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dia 1-Porque Politeísmo Helênico?

Responder que o motivo são os deuses seria pequeno. Se fosse só pelos deuses, eu poderia ter continuado no caminho que eu estava trilhando, não precisava me preocupar em ser reconstrucionista. Então, o que foi esse algo mais que me trouxe para o reconstrucionismo?




Alexandre o Grande.

Quando eu tinha nove anos de idade e era uma pequena obcecada pela mitologia grega e egípcia, ganhei de presente o livro O Príncipe Invencível, um romance sobre a vida de Alexandre Magno para crianças. E aquilo me tocou, me comoveu, deu forma para aquilo que se tornaria quem eu sou.

Eu passei a buscar a ética e a virtude dos antigos helenos. Meu pai percebendo isso, alimentou meu fascínio, contando histórias, falando de filosofia, me dando livros. E eu cresci tendo como exemplos, como modelos, Alexandre, Leônidas, Diogenes, Epicuro,Sólon...

E sofrendo com o fato de que os deuses dos antigos gregos, e por consequência, os ideais que eu anelava, estavam mortos.

Descobrir o paganismo foi um alento. Mas descobrir o reconstrucionismo alimentou muito mais do que só minha fé. Eu descobri que eu tinha companhia no meu amor pelos antigos helenos, pelo seu jeito de fazer as coisas, e principalmente em sua virtude e ética.

Era isso que eu havia buscado toda a minha vida: não apenas a fé, mas a ética, a virtude, o ideal, a visão de mundo.

O que me levou ao reconstrucionismo? A virtude. A busca por aquilo que é belo e verdadeiro.

Meu amor pelos deuses, qualquer caminho pagão desde que vivido intensamente poderia me trazer (como me trouxe por anos). Mas a busca pela virtude... isso o reconstrucionismo me deu forças e companhia para seguir em busca.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

30 day paganism meme

 Achei esse meme bacanudo. Bonitão mesmo. 30 dias de postagens. Você encontra por ai como "30-day paganism meme" mas neste caso eu usei a postagem do Of Thespiae e fiz minha versão em cima.

Acho que é interessantelembrar que são 30 dias,não necessariamente 30 dias consecutivos.
Mas vou tentar fazer consecutivo, vamos ver se consigo. Eu adoro escrever mas me falta as vezes o impulso inicial. Então, lá vamos nós. Vou tentar postar versões em inglês no Dreamwidth, mas se algum falante de inglês cair aqui, google translator, porque versão em inglês não vai ser igual, mesmo.

Se alguém quiser pegar, fique a vontade. Se algum pagão de outra vertente quiser seguir a proposta, eu aconselho a usar o google parapegar a versão mais "original".

30 dias de Hellenismos (que é o mesmo que Politeísmo Helênico, que é a palavra que gosto mais, mas hellenismos é mais curto de ecrever,rs).

Dia 1-Porque Politeísmo Helênico?
Dia 2-Crenças: Cosmologia
Dia 3-Crenças: Dvindades
Dia 4-Crenças: Nascimento, Morte e Renascimento
Dia 5-Crenças: Sexualidade Sagrada
Dia 6-Crenças: Divinação, misticismo, e coisas assim
Dia 7-Crenças: O poder da oração/reciprocidade
Dia 8-Crenças: Dias Sagrados
Dia 9-Ambientalismo
Dia 10-Patronos: Dionísio
Dia 11-Patronos: Leto
Dia 12-Panteão: Kheiron
Dia 13-Panteão: Curetes
Dia 14-Panteão: Thêmis
Dia 15-Panteão: eeer...panteão
Dia 16-Espíritos da natureza
Dia 17-Ancestrais
Dia 18-Meu modo de adorar
Dia 19-Comunidade
Dia 20-Hellenismos  e minha família
Dia 21-Outros caminhos que explorei
Dia 22-Hellenismos  e grandes eventos em minha vida
Dia 23-Ética
Dia 24-Estética pessoal em ritual & prática
Dia 25-Instrumentos rituais preferidos e porquê
Dia 26-Algum passatempo ”laico” com significância religiosa e porquê?
Dia 27-Como sua fé ajudou em épocas difíceis?
Dia 28-Uma concepçãoerrada sobre o Hellenismos que você queira clarear
Dia 29-O futuro do Politeísmo Helênico
Dia 30-Conselho para os que buscam

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ensino religioso

Quando a gente tem filhos a gente transmite coisas para eles. Assim, meu beija flor costuma identificar imagens de deuses, e tem alguns favoritos. Ele tem suas vivências espirituais, que muitas vezes me surpreendem.

Mas forma geral, não é algo que eu tenha feito de maneira mais organizada. Como ele já está com cinco anos, comecei a pensar algumas coisas um pouco mais estruturadas para lidar com o assunto,até como uma forma de rebater as influências externas.

Hoje começamos fazendo um livrinho juntos. Usei o material do site SmartKids e comecei pelos... 4 elementos.

Se estivesse fazendo um plano de curso no estilo "catecismo" para crianças mais velhas, eu teria uma outra proposta Mas como ele ainda é novinho, está aprendendo a ler agora, acho que vale a pena investir nos conceitos mais simples e fundamentais. Acho que o que nos faz membros de uma religião é não só cultuarmos aqueles deuses, mas abraçarmos a visão de mundo, a ética e as posturas.

O que nesse caso significa falar dos pré-socráticos com uma criança de 5 anos. =)

Nós lemos juntos, e conversamos sobre cada elemento enquanto ele pintava as imagens. Depois, eu montei o livrinho e ele ficou todo orgulhoso da sua obra.

Quero ver se depois faço um outro mais bacana, dessa vez com texto e imagens meus, assim posso compartilhar com outros pais pagãos.

Ah sim. A capa foi feita usando uma xilogravura dos quatro elementos. Originalmente a xilogravura incluia um Jeová entre os quatro elementos. Nada que um paint e um pouco de trabalho não resolvessem.

Fiz o título em letras balão, para ele pintar dentro, mas ele estava em um momento muito ortodoxo e decidiu que letras de título de livro tem que ser pretas.

Dá para ver quando ele estava mais concentrado e quando se distraia, rs. Afinal,ele pintou tudo sem minha ajuda,tanto as coisas totalmente dentro das linhas quanto as coisas que estão pintadas por todos os lados.


O texto do livrinho (retirado do site SmartKids e colocado em caixa alta para facilitar a leitura dos pequenos):


Quatro elementos é uma expressão que se refere aos elementos naturais: água, terra, fogo e ar.
Essa expressão tem origem lá na Grécia antiga com seus grandes pensadores que tentavam descobrir qual o elemento que formava todas as coisas.
O grande Tales de Mileto acreditava que a origem estava na água,
já Anaxímenes acreditava no Ar
e por fim Heráclito incluiu o fogo como agente criador.
Mas foi Empedócles de Agrinito que adicionou Terra a esses três conceitos e concluiu que tudo era formado por quatro elementos.
Os filósofos pré-socráticos identificaram esses quatro elementos primordiais, que eram opostos dois a dois:

água (fria e úmida) x fogo (quente e seco)
ar (quente e úmido) x terra (fria e seca)



Gerou momentos ótimos juntos e ótimos diálogos sobre os elementos e os filósofos pré-socráticos.


Depois que eu refizer o dos elementos, estou pensando em fazer um sobre virtudes, um sobre heróis e um sobre deuses olímpicos. Depois vamos ver o que rola. 


(e como as pessoas perguntam- não, não vou pirar se ele decidir quando tiver idade por outra religião. direito dele. Mas também é direito meu cria-lo dentro da minha religiosidade enquanto ele não decidir seu caminho.)

domingo, 19 de setembro de 2010

Aquilo que se pode ofertar

Sabe, há dez meses atrás, eu fazia parte de um grupo de culto. Não era um grupo reconstrucionista. Mas tínhamos um trabalho sério de dedicação aos deuses. Eu gostava muito de estar ali com aquelas pessoas. Uma das coisas de que gostava é que nos encontrávamos na casa de uma de nós, horas antes das celebrações, e começávamos a cozinhar. Passávamos a tarde na cozinha,conversando sobre coisas sagradas e preparando com esmero nossas ofertas. Era um verdadeiro banquete.

Agora, estou pendurada no outro extremo. Nos reuníamos para fazer as libações em parques, preciso pegar condução e pensar bem tudo que vou carregar. Nesse caso, me vejo escolhendo com esmero um bolo de milho recheado no mercado, ou vendo o Jota surgir com Natuchips de mandioquinha e inhame, e o Tinho com biscoitos de aveia e mel. Longe do ideal? Com certeza. Mas é o que é possível nesse momento: escolher com cuidado algo pronto, que possamos comer com as mãos, em um parque público.   

Em casa, vivo um meio termo. Ano passado, na Diasia, fiz bolo e ambrosia. Este ano, ofertei fandangos eco (porque tem formato de animais). Aliás, biscoitos em formato de animais é uma coisa que está ficando clássica entre os recons na Diasia: comprados mesmo, muitas vezes. As vezes, posso preparar algo bacana para o deipnon de Hécate, as vezes abro um pacote de cookies de mel, ou simplesmente pego umas colheradas de mel. Nem banquetes, nem tudo comprado pronto. Aquilo que é possível.


Sempre penso que o foco maior é que eu oferte aquilo que tenho de melhor. As vezes, o que tenho de melhor é um incenso de palito, um vinho de mesa tosquinho e uma vela. As vezes, é mel, água, leite, vinho e azeite, olíbano em grão e bolos feitos por mim mesma. As vezes, é cerveja, carne no fogo e meu trabalho. As vezes, tenho um hino e só. As vezes, um ritual de horas.

Mas sempre, é preciso buscar o que se pode fazer de melhor. Ainda que o melhor daquele momento não seja o que você gostaria. É melhor do que não fazer nada por julgar que não pode fazer muito.

As vezes,é preciso lembrar que a relação com os deuses se constrói das pequenas coisas de todo dia. Do lembrar de oferecer a Héstia a primeira porção do que você come. De dizer ao menos "bom dia, deuses" quando passa corendo diante do altar atrasada para o trabalho. De manter o pensamento em coisas virtuosas. De reconhecer que se é só um mortal. E de pensar nos deuses, em seus mitos, em sua forma, em relatos de outros devotos.

Não podemos tentar ser quem não somos. E se o que eu posso fazer é pouco, que seja feito com esmero, com a certeza de que será o melhor possível, e nada menos do que isso.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Libação do dia 11

Ficou um altar apaixonante não?
Não foi uma semana fácil. Foi uma semana corna em muitas coisas. Então, quando eu olhei para o céu e vi as estrelas por trás da pitangueira do jardim, enquanto os últimos detalhes entravam em seu lugar, eu me senti leve de uma forma absoluta.  Estou cumprindo meu dever. O resto não importa.

Acho que essa libação para Deméter e Perséfone foi meu momento de enxergar com clareza para onde meu caminho me leva, e sentir orgulho disso.

O sábado amanheceu ensolarado e gostoso. Chegamos no Água Branca, eu e o Tinho, um pouco antes dos outros para procurar um lugar para ficarmos.

O Parque da Água Branca, em São Paulo, é também a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Totalmente adequado para celebrar Deméter.

Estivemos em 7 pessoas. Foi uma tarde leve e uma celebração bonita. Postei as fotos no Facebook. Ainda não me viro muito bem no fb, mas as fotos estão lá.

Acho que aprendemos mais a cada vez. Nos acertamos melhor. Conseguimos fazer as coisas com mais atenção. E nos envolvemos.

Estou feliz com tudo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que você vai fazer em 7 de Setembro?

Depois de tudo que nosso país passou em sua curta vida (porque somos uma nação muito jovem historicamente), nós temos uma relação com o nacionalismo de uma criança que era surrada pelos pais.

Assumo que uma das únicas coisas que os EUA/USA tem que me bate uma invejinha é o fato deles comemorarem o dia 4 de julho do jeito como eles comemoram. Eu sonho com um 7 de setembro assim, sabe. Onde todo mundo está vestido com as cores nacionais, as pessoas hasteassem bandeiras nos quintais, onde se estourassem fogos e as pessoas comemorassem de verdade que são brasileiras. Sabe, aquela palhaçada que as pessoas fazem antes dos jogos da Copa, quando subitamente lembram que são brasileiros. (ou como eu costumo dizer, "porque o meu país é o time de futebol dessas pessoas?").

Mas ainda que eu não tenha a comemoração de 7 de setembro desejada, eu ainda assim vou celebrar.

No 12º dia de Boedromion, que neste ano cai em 21 de setembro, nós temos uma festa chamada Demokratia, para Zeus, Atena e Thêmis, e o nome do festival já explica bem sua temática.


Assim, no meu 7 de setembro eu vou celebrar alguns heróis cívicos, que eu admiro e que acho que merecem ser lembrados. Maria Quitéria, especialmente, que lutou na independência.

Vou relembrar os nossos pracinhas, heróis da 2ª Guerra Mundial.

E vou fazer afertas a Zeus, Athena e Thêmis, onde ao invés de oferecer as coisas tradicionalmente ligadas a eles, vou oferecer itens que representem o Brasil.

Depois eu posto uma descrição detalhada do meu rito.


Mas eu queria dizer isso. Somos mais da pólis do que do pagus. Está na hora de deixar de lado essa mentalidade de medo,esse horror em ser patriota, e lembrar que, especialmente para quem busca nos antigos helenos sua fé, é preciso amar, respeitar e fazer o melhor possível dos nossos deveres de cidadãos.

Muitos morreram para que hoje eu possa estar aqui, cidadã. E honrar essa memória é meu dever.Como cidadã brasileira, e como serva dos deuses helenos.


ps- e esperem por mais do tema em 15 de novembro... =)
 

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